RN é o 5º em doação de órgãos no Nordeste e o 8º do país em fila de espera

A professora Sandra Maria Gonçalinho perdeu o filho Felipe de 23 anos num acidente de carro em 2015. Os dois são do Rio de Janeiro, mas o jovem estava em Natal quando a tragédia aconteceu.

Esse detalhe da localização permitiu que Ramom Mateus de Pontes Lima recebesse um rim de Felipe através de transplante no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol/UFRN/Ebserh).

A doação dos órgãos do filho foi para Sandra a forma encontrada por ela para dar um novo significado a sua perda. Pelo decreto 9.175/2017, que regulamenta a doação de órgãos, é proibido o repasse de informações entre doadores e receptores no caso de doação post mortem. Porém, por causa de pessoas conhecidas em comum, Sandra acabou conseguindo fazer contato com Ramom após a cirurgia.

Eu já fui a Natal e ele já veio me visitar no Rio, eu estou feliz porque meu dia não está mais triste por conta do Ramom. Eles [amigos em comum] foram ligando os pontos e acabamos nos encontrando. O mundo é pequeno”, conta a professora.

Até a tarde desta segunda (25), 40.512 pessoas no Brasil aguardavam por um órgão para transplante, segundo o Ministério da Saúde, que atualiza os dados diariamente. Dessas, 317 estavam no Rio Grande do Norte.

O estado é 8º em número de pessoas aguardando transplante. A lista é encabeçada por São Paulo, com 19.701 na fila de espera, seguido por Minas Gerais (3.677) e Paraná (2.234).

O RN é o 5º em doação de órgãos dentre os estados do Nordeste, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Em 2022, foram realizados 335 transplantes, sendo 129 de córneas, 162 de medula óssea, 39 de rins, dois de coração e três de pele. Já em 2023, foram 84 procedimentos de córnea, 29 de rins e três de coração.

Sandra conta que o filho já tinha manifestado o desejo de doar os órgãos ainda em vida. Tanto o coração, como o fígado, córneas e rins de Felipe foram doados para outras pessoas.

“Não foi possível salvar a vida de meu filho, mas ele trouxe a vida para outras pessoas, outras famílias, outras mães”, conta Sandra.



Setembro Verde

Durante o Setembro Verde, as campanhas de conscientização para incentivar as doações de órgãos são intensificadas. Em números absolutos, O Brasil é o 2º país no mundo que mais realiza transplantes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

No caso do transplante de coração, foram 206 cirurgias no 1º semestre de 2023, o que representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.

A lista para transplantes é gerenciada pelo Ministério da Saúde e válida tanto para os pacientes do SUS quanto para os da rede privada. A fila é única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Como ser um doador?

Para ser um doador, NÃO é preciso registrar a intenção em cartórios, nem informar em documentos o desejo de doar. O importante é que a família seja comunicada sobre o seu desejo de se tornar um doador após a morte, para que possa autorizar a efetivação da doação.

Fonte: Saiba Mais