Cannes esconde villa privativa em ilha rodeada pelo azul do Mar Mediterrâneo

Afastado das ruas cheias de turistas, mas perto o suficiente para sentir o glamour da Côte D’Azur, Le Grand Jardin é repleto de história, champanhe e tranquilidade sem incomodações em ilha que pode estar no seu roteiro de viagem.

Da enérgica Croisette, avenida recheada de grifes que anualmente recebe os nomes mais badalados da indústria cinematográfica para o Festival de Cannes, turistas do mundo todo nem desconfiam que, nesta ilha no horizonte, grupos de amigos e famílias tomam champanhe à beira da piscina sem serem vistos, onde discrição e exclusividade são palavras de ordem movidas por um turismo de ultraluxo

Da enérgica Croisette, avenida recheada de grifes que anualmente recebe os nomes mais badalados da indústria cinematográfica para o Festival de Cannes, turistas do mundo todo nem desconfiam que, nesta ilha no horizonte, grupos de amigos e famílias tomam champanhe à beira da piscina sem serem vistos, onde discrição e exclusividade são palavras de ordem movidas por um turismo de ultraluxo.

O serviço é comparado ao de um iate, em que a villa privativa oferece tudo que um hotel tem com o conforto de ser uma propriedade fechada para um único grupo, com serviços customizados que se adaptam ao cliente, tipo de demanda que tem despontado nos últimos tempos em grupos mais seletos.

Terra à vista

Vizinho ao Palais des Festivals, que sedia o Festival de Cannes, e repleto de opulentos iates, o porto de Cannes é o ponto de partida da embarcação própria que leva os hóspedes do Le Grand Jardin à ilha Sainte-Marguerite. Além da travessia, é possível chegar na villa por helicóptero próprio, que pousa no heliponto de gramado verdejante no meio da residência.

Caso chegue pelo mar, vans Mercedes-Benz elétricas esperam os hóspedes no reduzido cais e transportam os hóspedes por um trajeto de sete minutos em meio à floresta de pinheiros e eucaliptos. Totalmente silenciosas, as vans são os únicos veículos autorizados pelo governo a transitar na ilha, já que carros e bikes são terminantemente proibidos.

Após o percurso, chega-se então a um muro com uma porta central que se abre para uma realidade serena repleta de jardins bem cuidados, obras de arte e construções antigas renovadas.

Como é a villa

A villa privativa de 14 mil m² acomoda 24 pessoas em 12 quartos, que são divididos em cinco diferentes construções, incluindo chalés individuais.

Sabe-se que a torre e os muros foram erguidos no século 13, mas os outros cômodos foram levantados séculos depois. Em tempos recentes, a propriedade pertencia a um magnata indiano, mas foi comprada há pouco mais de dois anos pela Ultima Capital, desenvolvedora imobiliária de luxo da Suíça.

Assim, os exteriores foram conservados, mas os interiores passaram por melhoramentos merecidos. Além de terem todas as amenidades parecidas com as de um hotel, os amplos quartos são dotados de cabeceiras acolchoadas em couro, banheiros marmoreados, botão para acionar um funcionário e até vaso sanitário inteligente, daqueles que possuem descarga, aquecimento e desodorização automáticos.

Junto de duas suítes, a casa central, chamada de Governor’s House, é onde o convívio social acontece para além da piscina, já que concentra sala de estar, sala de jantar e cozinha de onde saem refeições sob a curadoria de um chef particular.Uma diminuta horta pode prover à mesa ervas e temperos, onde tomatinhos, morangos, alecrim, lavanda, salsão, sálvia e diversos tipos de manjericão são mantidos por uma jardineira – a única moradora da ilha ao longo do ano inteiro.A protagonista da propriedade, porém, é a imponente torre dos tempos medievais rodeada por jardins, que tiveram Luís 14 e outras figuras francesas andando pela vegetação em séculos passados e de onde decorre o nome Le Grand Jardin.Na torre, mais segredos depois da porta: no andar térreo, um mini cassino com direito a mesas e roletas lembra que Mônaco pode estar mais perto do que se imagina.A poucos passos, uma escada encaracolada de altos degraus é convite para outra descoberta: ela leva ao quarto que ocupa o antigo local de observação contra invasões do forte. Os visuais lá de cima são inconfundíveis, com pedaços da natureza verde criando um cenário pitoresco junto às pinceladas azuis do Mediterrâneo.Já lá embaixo, ao tomar champanhe à beira da grande piscina e praticar o joie de vivre, o desejado silêncio que ronda dia a noite a propriedade é irrompido apenas pelas badaladas da Abadia de Lérins, na Ilha Saint-Honorat, a irmã menor logo atrás de Sainte-Marguerite, em que a torre do monastério pode de ser avistada no horizonte.

As ilhas de Cannes: passeios fora do óbvio

Se os portões da propriedade se abrem para um mundo de luxo e calmaria, um ambiente pacífico também pode ser encontrado para além de seus limites.

Se não estiver hospedado no Le Grand Jardin, as ilhas de Sainte-Marguerite e Saint-Honorat podem ser degustadas por um preço bem mais em conta. Os territórios são públicos e podem ser acessados em travessias de ida e volta em embarcações que saem do porto de Cannes – o custo até a ilha de Sainte-Marguerite é de € 13.50 (cerca de R$ 70), e não é possível ir diretamente de uma ilha a outra com transporte coletivo.

A começar, trilhas por Sainte-Marguerite, que soma 210 hectares de área, são ideais pelos bosques mediterrâneos que rondam o perímetro – há até uma alameda de eucaliptos datados do século 19.

Junto do Le Grand Jardin, a outra construção na ilha é o Fort Royal, que além de fortificação do século 17, é hoje um museu que atrai visitantes pela história do Homem da Máscara de Ferro.

Nunca identificado, ele foi um prisioneiro durante o reinado de Luís 14 que ficou conhecido por usar uma máscara de ferro até a morte. Além da Bastilha, o prisioneiro também ficou em uma cela na ilha, que hoje pode ser visitada por € 6.50 (cerca de R$ 34).

Eternizado pelas lendas que rondam seu encarceramento, que viraram livro nas mãos de Alexandre Dumas e até filme de 1998 com Leonardo DiCaprio, ele move curiosos até o forte, o qual também tem um quartel transformado em dormitórios em beliche para famílias passarem finais de semana de março a outubro.

Próximo ao Fort Royal há ainda um restaurante, o L’escale, e estabelecimento com pegada de beach club, o La Guérite, que só funcionam entre abril e outubro.

Ao longo do ano não é raro encontrar famílias e casais em piqueniques pelas redondezas e banhistas à procura das modestas – mas deslumbrantes – praias compostas por pequenas rochas. As praias se diferem da costa de Cannes pela coloração e composição, em que as águas azuis do Mediterrâneo ganham tonalidades vívidas que nenhum filtro do Instagram é capaz de replicar.

O mesmo se aplica à ilha de Saint-Honorat: enquanto a floresta de Sainte-Marguerite é classificada como reserva biológica pelo Escritório de Nacional de Florestas (ONF na sigla em francês), a irmã menor é uma ilha particular pertencente aos monges cistercienses, que até oferecem retiro em cela monástica.

Para os que não desejam ficar enclausurados, um passeio de barco pelas águas ao redor das ilhas – que pode ser provido também com ajuda da equipe do Le Grand Jardin – é ideal para revelar as maravilhas que o mar oferece. Esportes náuticos são comuns e mergulhos com snorkel e máscara nas águas geladas supertransparentes podem ser refrescantes nos tórridos verões europeus.

Lança-se aqui um desafio: encontrar o museu subaquático de seis esculturas criado pelo britânico Jason deCaires Taylor. Primeiro do tipo na França e no Mediterrâneo, o ecomuseu fica a cerca de três metros debaixo d’água nas imediações de Saint-Marguerite e foi feito com material para atrair vida marinha.

Após a aventura, uma paradinha em Saint-Honorat é pedida para o almoço: funciona aqui o restaurante La Tonnelle, onde peixes e frutos do mar saem da cozinha de influência mediterrânea. Aberto apenas para almoço, o local fica fechado entre janeiro e fevereiro.

Nos outros meses, é pedida para emendar uma caminhada e conhecer os vinhedos do mosteiro de Lérins – sim, na ilha há oito hectares com uvas que vão de Pinot Noir a Viognier, de Chardonnay a Syrah, que resultam em vinhos feitos pelos monges. Os vinhedos são abertos em excursões às sextas-feiras, que terminam com degustação de dois rótulos.

De volta ao Le Grand Jardin, o dia pode ser finalizado com um jogo na quadra de petanca (mais francês impossível), massagem revigorante no spa ou ainda com aula de ioga no cantinho que desejar nos 3,5 acres da propriedade. O combo fica completo com as altas temperaturas do hammam e da sauna seca.

E se a saudade de ver e ser visto o fizer querer colocar os pés no continente, basta lembrar que Cannes, com toda sua pompa de hotéis e restaurantes de renome, sempre está à disposição a pouquíssimos minutos de barco.

*O jornalista viajou a convite do Le Grand Jardin.

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Por CNN BRASIL*